quinta-feira, 17 de março de 2011

Um post autobiográfico

Sempre tive vontade de compartilhar as minhas lembranças mais remotas, mas não o fiz por não saber onde começam e nem com quais palavras melhor expressaria o que senti e sinto com relação a minha própria história.
Mas deixando um pouco as preocupações em ser exata, vou me arriscar.
Das minhas lembranças de infância, as pessoas são muito importantes. A maioria delas amigas de meus pais. Adultos eram os meus amigos, que hoje aos poucos estão morrendo. 
Morei os primeiros 25 anos na mesma casa, e sou do tempo que quando anoitecia colocávamos nossas cadeiras na calçada, onde crianças brincavam, adultos riam com suas histórias e a vida corria da melhor maneira possível. Nossas casas ficavam abertas, não tínhamos medo da violência. 
Depois da morte precoce de minha madrinha, já não colocávamos nossas cadeiras na calçada, pois a vida ficou mais triste. O tempo passou e aí já nem mais nos víamos, trancados em nossas casas, com medo de bandidos.
A vida mudou muito depressa. A felicidade ficou ali, em alguma rua, em alguma esquina, em alguma lembrança.
E por muito tempo procurei por um hábito que já não mais existia: pessoas que quisessem saber de mim, de como eu estava. Por algum momento pensei que os nossos picnics de finais-de-semana seriam para sempre, mas também se perderam. Essa mudança de hábitos marca um dos momentos mais difíceis da minha vida, pois tive muita resistência em aceitar, mas uma vez que não tinha escolhas, consegui virar a página.
Passei então a perseguir um objetivo: me mudar de casa! A partir de então, me mudei de bairro, de estado... ainda é possível se encantar pelo novo, mesmo que as pessoas sigam a tendência do "não tenho tempo", e na solidão de seus quartos, socializem mais com amigos virtuais, onde o compromisso geralmente acaba com um click no botão desligar.
Descobri que quando se tem amigos não precisamos de terapeuta. No momento, eu tenho terapeuta.
Talvez eu tenha perdido o fio da meada, sabe? Não descarto essa possibilidade. Não aprendi a viver esta vida que está aí. Não sou a amiga, não sou alguém de quem alguém se orgulhe de ser amigo. Quero socializar mas não sei e quando a gente não sabe, não faz direito.
Meus príncipios que tanto me importam, não significam nada pra ninguém. Minhas lutas são desnecessárias e a verdadeira luta é contra mim mesma.  Não sei onde estava quando o mundo mudou. Preciso urgentemente rever meus conceitos e quem sabe, virar mais uma página.

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