segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Biografia autorizada

Penso que seria bom escrever minha biografia, uma vida sem muitas histórias interessantes, mas toda vida por mais monótona que seja é interessante, tem seus porquês, seus momentos felizes e sua carga dramática.
Ao compartilhar um pouco do meu passado não busco consolo ou compaixão, busco apenas dividir experiências, afinal o que passou passou mas pode servir para alguma coisa, sei lá... ou não?
Rever, remexer passado, recontar uma história... A quem pode interessar senão a psicologia que acha que reviver emoções pode fazer maravilhas por você? Eu reviro meu passado só para compartilhar experiências mesmo, ou mostrar o que é uma vida bem pobrinha em experiências. Vida que corre para o mar. Vida que é uma só. Escolhas que te impulsionam, o caminho é sem volta e uma escolha geralmente anula uma possibilidade totalmente oposta... 
Problema é que a consequência é conhecida depois da escolha feita... e o caminho é sem volta. Claro que podemos voltar atrás nas decisões, mas não no tempo... nunca!
A vida é assim mesmo.


domingo, 2 de outubro de 2011

Não ter, não ter...

Com a facilidade em buscar imagens na internet, volta e meia me pego revendo coisas relacionadas aos anos 80 - a minha década - o meu tempo.
Naquele tempo... É, me pego falando como gente vivida, experiente, como meus pais falavam e começo uma "viagem" a um tempo que me pertence, as minhas lembranças.
Sou filha única, porém não eram tempos de fartura financeira e também nunca soube o que era "não ter" o necessário. Fui criada em meio aos adultos, pois quando nasci mamãe tinha 40 anos e os filhos das amigas delas já estavam bem crescidinhos. 
Tive alguns brinquedos legais, mas não tive todos os que quis. As bonecas eram bem paradonas, então eu gostava mesmo de montar o ferrorama no meio da sala, gostava de carrinhos e brinquedos movidos à pilha.
Posso listar os que tive e foram mais legais: o ferrorama, um revólver, aquaplay, pianinhos, vídeo game, bicicleta, o meu bebê- aquele que só tinha uma tochinha de cabelo. Tive pogo-bol, jogos de tabuleiro, bolas, raquetes e etc.

Posso listar os que quis muito mas não tive: autorama, o robô Ar-tur, gênius, bicicleta caloi cross, patins, som 3 em 1.
Claro que diante do "não ter" um brinquedo que queria muito me sentia triste, mas era uma criança feliz que não se abatia facilmente. Esse tipo de lembrança não me machuca, e consigo me orgulhar te ter aproveitado a felicidade da infância, propiciada pelo ambiente, por pessoas que faziam parte da minha vida. Eu sabia, não sei exatamente como, que o ser era infinitamente mais importante que o ter. E eu era o que queria ser, e eu vivia a vida que queria ter.
Quando tinha uns oito anos as coisas começaram a ficar complicadas. Meu pai teve problemas com alcoolismo e minha casa era um inferno, sem violência física mas com muita violência verbal. 
A pessoa que mais me dava suporte era minha madrinha que descobriu um cãncer e morreu nesse mesmo tempo- setembro de 1985. Meu mundo caiu, mas só me dei conta com o passar dos dias e dos anos.
Nessa época, a paz para mim já era mais importante que qualquer brinquedo e ter isso ou aquilo não me fazia melhor ou mais feliz. Notei então que ter alguém é bem mais difícil do que ter um brinquedo, pois é preciso sentir e acreditar.
Meus tios e primos nunca se importaram comigo, talvez pela diferença de idade ou distância emocional que tínhamos e temos e teremos.
Um dia de cada vez e os tempos difíceis já faziam parte do passado. Com muito trabalho, conseguimos recuperar meu pai e formamos uma familia pequena e feliz, agora já não somos mais aquelas pessoas de 1985... somos o que podemos ser. Quando falo da infância que tive, me refiro até 1985, no entanto meu rendimento escolar nunca diminuiu e sempre tive facilidade e gosto em aprender e sempre soube separar as coisas. 
Outros tempos vieram e eu pude ter coisas que na década de 80 nem sonhava ter e mais uma vez pude comprovar que juntar coisas não me faz mais feliz do que juntar pessoas, mas esta é uma dificuldade que tenho, não as sinto perto, não as sinto se importando comigo, salvo raras exceções.
Desde que me conheço abominava bebida alcóolica que destrói tantos lares, inclusive o meu que levou tempo para ser reconstruído, não sem deixar suas marcas. Quis o destino que durante minha estada na Bahia num período em busca de mim mesma, me descobrisse fascinada por vinhos. 
Fui morar na Bahia totalmente aberta para o novo, para algo que não conhecia pois isso me faltava... me faltava paixão pela vida, pela minha vida.
Busquei trabalho em recepção de hotel, mas o que apareceu foi de vendedora em loja de vinhos. Pensei em recusar, pensei seriamente. Era um mundo que eu desconhecia e minhas referências, minhas experiências não eram tão boas.
Aceitei e foi o primeiro emprego que tive gosto em ter. Aprendizado intenso. Hoje não me imagino fazendo outra coisa senão tudo o que faço relacionado ao mundo do vinho. Encontrei nesse meio também bons amigos. O caminho que percorri foi esse. Nenhum caminho ou escolha é fácil, as dificuldades fazer parte, o desafio nos move o tempo todo. Algumas coisas permanecem num lugar intocado.




domingo, 25 de setembro de 2011

Cacau Show está mesmo show de chocolates.

Fui até uma loja da Cacau Show a procura de um presente e para minha alegria me deparo com esta caixinha linda. Coleção Sommelier assinada por Manoel Beato, o mais fomoso sommelier do Brasil, e nem preciso dizer que fiquei muito feliz pois isso significa que o Brasil está aprendendo a degustar vinhos e mais do que isso, está tomando gosto em percorrer esse caminho sem volta que é a paixão pelo mosto fermentado de uvas.
Tinha também outra coleção de trufas com licores, whisky, e outras bebidas que vem com um saca-rolhas. Não gostei, pois o saca-rolhas é feio demais e não tem nada a ver com o conjunto de trufas em si... achei sem nexo... ainda fosse um saca-rolhas melhor...

domingo, 18 de setembro de 2011

Uma breve história da consumista antes adormecida

Quem me conhece sabe que não queria mais microondas em casa pois cismei que o treco não faz bem para a saúde. Nosso único microondas se danificou na mudança para a Bahia e nos desfizemos dele. Anos se passaram e agora tenho contato com um simpático microondas lá no trabalho.
A praticidade ao esquentar um prato e o fato de que aprendi que fica ótimo queijo brie ou camembert e geléia de pimenta aquecido acabou me convencendo de que PRECISO de um forno microondas aqui em casa! Nem preciso mencionar a pipoca...
É bem verdade que preciso uma porção de coisas, mas aí acontece de dar aqueles 5 minutos e coloco alguma coisa no topo da lista e saio para comprar. 
Assim, comprei meu maravilhoso forno de microondas. Chegou ontem e... já com aquela tomada horrível saí em busca do adaptador. Três lojas e nada... não tinha. 
Hoje consegui  encontrar a pecinha aqui perto de casa. Fiz meu camembert com geléia de pimenta, abri um Isla de Maipo Sauvignon Blanc 2010 e passei horinhas de agradável prazer em companhia dos meus.
Este vinho tem um aroma pouco pronunciado, boa acidez. Na boca tem discreto abacaxi e bastante frescor.
No entanto, antes disso tudo resolvi dar uma volta no shopping. Sorvete do Mc Donalds e macadâmias açucaradas do quiosquinho que eu não me lembro o nome.
Estou um pouco cansada, ainda que o shopping é pequeno... acho que estou ficando velha.. hum... talvez... Mas enfim, essa é a vida que eu tenho, não é grande coisa mas tenho que aproveitar da melhor maneira possível.

domingo, 11 de setembro de 2011

Atualizações.

O trabalho que era temporário se tornou efetivo. E eu de desempregada que estava, agora novamente entre garrafas que é onde fico bem.
Penso em algo para escrever, não vem nada. Acredito que minha alegria deva ser compartilhada com que esteve ao meu lado quando precisei... e sempre preciso... Sou assim, preciso apenas de palavras, de carinho e atenção.
E com essas poucas pessoas divido minha alegria por aqui ou por qualquer outro meio.
A vida é uma coisa louca mesmo... que para mudar é um click. Se boa ou ruim, sempre muda.
Em meio a minha felicidade com o trabalho, revi um amigo muito querido que tem acompanhado minha trajetória profissional. Almoçamos juntos num restaurante que nos propusemos a conhecer. Tinha vinho, mas o serviço é o pior que já vi. Nosso assunto durante a refeição foi apontar as falhas do restaurante, desde a falta de toalhas na mesa... mesas feias diga-se de passagem.
Mudando de assunto, hoje-domingo foi um dia chato ao quadrado. Pensei em ficar em casa para descansar, e o tédio tomou conta. Minha mãe fica reclamando de tudo num volume que eu ouça, só para ativar minha culpa... e eu só queria paz. Tentei tv, cama, geladeira, pc, geladeira, cama, tv... nada supriu minhas necessidades do dia, não encontrei a paz em nenhum canto, mas daí também já não tinha energia para ir ao shopping procurar minha paz num MC Flurry ou algo assim.
Sumi do blog por falta de tempo, ideia, assunto... mas sempre reapareço. Bjs.

sábado, 20 de agosto de 2011

A boa nova. (fase)

Tenho boas novas. Comecei a trabalhar numa loja de vinhos e estou adorando meu novo emprego.
A vida segue seu rumo, eu faço a minha parte.
O caminho é difícil, a trajetória é longa e muitas vezes dá uma vontade de desistir e é como se desistisse e voltasse a tentar no dia seguinte, até o dia em que as portas se abrem e a esperança faz sentido.
Talvez a vida seja assim mesmo e exige de nós muita calma e compreensão. O que importa agora é que estou curtindo a nova fase e aproveitando cada segundo com desejo de eternizar o momento.
Poucas pessoas estiveram do meu lado quando precisei e a estas sou muito grata.
Novidades em outros posts que se seguirão. Bjs.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Foi assim...

Domingo estive novamente em São Paulo para o recital da Cathy no encerramento desta série de apresentações do Cortinas Lyricas do Oficina. Foi mais uma vez belíssimo e inesquecível.
Difícil falar sobre esta mulher de voz afinada e doce e sentimentos nobres. Inteligência, elegância e carisma... tudo junto e misturado... assim facilmente quando a conheci fiquei fã e todo o resto que eu disser é meio que se repetir, chover no molhado, sabe...

Bom, e depois de curtir meu passeio em Sampa voltei para casa e eis que encontro um delicioso bolo com maçãs e xarope de groselha me esperando. Receita super aprovada! As maçãs são cortadas ao meio e colocadas no fundo da fôrma. Delícia........


 

E  para terminar o dia em grande estilo assim como comecei, fui com mamãe assistir  "La Traviata " - do programa Circulando Ópera do Estado de São Paulo. 
Resumo da Òpera: O dia foi muito agradável e estou  pedindo bis até agora.

sábado, 16 de julho de 2011

Brown Cow


Já tinha ouvido os boatos de ele voltaria... hoje vi no supermercado o Brown Cow e imediatamente voltei no tempo... alguns produtos que eu tinha na minha infância desapareceram e este é um dos poucos que estão de volta!
Com tanta expectativa da galerinha da minha geração, o preço está nas alturas - $ 6,59 - não comprei. Sei esperar uma promoção com preço um pouco melhor.

Hospital - acontecimentos e pensamentos.

Comecei a semana na Unicamp, acompanhando meu pai na cirurgia de catarata. Após esperar mais de um ano e meio para que o município nos encaminhasse para lá, chegou o tão esperado dia!
Eu sou a acompanhante oficial dos meus dois amores sempre que precisam e desta vez me surpreendi pois tive algumas incumbências além da de acompanhar propriamente dita.
A cirurgia foi bem sucedida, já fizemos o retorno e meu pai já está curtindo o fato de poder ver bemmmmmmm melhor do que antes.
Para mim, as horas no hospital sempre rendem muita reflexão, pois lá eu vejo muita gente que está sofrendo com diversos problemas e que tornam os meus tão pequeninos e quase inexistentes.
Muitas pessoas dariam tudo para respirar como eu respiro, sem ter de andar com aquele cilindro de oxigênio a tiracolo... Em nenhum momento minha reflexão é voltada ao conformismo. Não devo me conformar com a minha vida, devo agradecer, e dar sempre mais de mim para atingir meus objetivos. Tenho que encontrar forças. Todos devem procurar viver da melhor maneira possível. 
Fico muito feliz que existam tantas pessoas que trabalham para amenizar a dor e o sofrimento. Queria poder ajudar também, mas não tenho essa capacidade então tento ajudar pessoas com o que eu posso e sei fazer. 
Talvez, eu disse talvez, ao nascer todos ganhamos um destino traçado, um papel a desempenhar no mundo e na vida dos outros, e tento corresponder às expectativas. Hospital é um lugar onde consigo pensar mais do que o normal. Queria entender qual o propósito do sofrimento. O que de fato constitui e determina que uma pessoa vai sofrer tanto, algumas chegam a conhecer só o sofrimento e suas limitações. Espera-se que o sofrimento leve à evolução do ser humano, mas evoluir para onde? Esperar o quê? Viver é bacana, é bom desde que usufruindo de saúde, mas qual é o propósito maior? 
Tá, eu sei que a vida tem o sentido que eu der para ela... Ou seja, depende de mim, unicamente de mim que a coisa funcione, que a felicidade apareça e resolva ficar. Todos os dias é tempo de tentar mais um pouquinho. E vamos que vamos!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um sonho que se sonha só...

Mais uma noite em que sonhei que estava em Porto Seguro e tinha o meu emprego onde eu era muito feliz. É para esse passado nem tão distante que vou quando estou triste de tanto buscar e não encontrar outro trabalho que me realize igualmente.
O sonho foi um pouco tenso, apesar de tudo eu sentia um medo. Era como um medo de acordar ou um medo que não sei explicar. O sonho bom foi ganhando ares de pesadelo até que acordei. 
Em sonho estive com meus ex-patrões e meu ex-colega de trabalho, o que de certa forma mata a saudade que sinto.
Não é segredo pra ninguém que só não fiquei lá porque não pude. Achei mais sensato morar onde tenho médico e dentista, afinal não vivo sem eles. Nunca pensei que teria que morar aqui por esse motivo, é mais fácil imaginar qualquer outro. 
O passado existe, as lembranças batem e é pra esse tempo que vou quando o presente não me agrada. Funciona como um fuga. Cada um tem seu jeito de suportar o que não consegue mudar, não é? O meu é esse e não que eu quisesse voltar no tempo, mas queria avançar de forma mais prazerosa.
Sou responsável pelas minhas escolhas (certas e erradas). Sei que quando errei foi tentando acertar e acho que acontece com quase todo mundo. 
Sou culpada pela minha tristeza, sabendo que eu não tenho o direito de ser triste pois a vida é muito generosa comigo, talvez por isso escape ao meu controle e seja uma doença, fato que precisa ser aceito antes de tudo.
De um dia para outro o que era simples passou a ser complicado... e eu que achava que me conhecia preciso me conhecer ainda mais. 
Aquilo que me machuca é assunto que eu evito. Até quando? Talvez sempre, pois as pessoas não merecem ser feridas com palavras, mais uma vez a culpa é minha que deveria ter um entendimento maior sobre viver. Vai ver que viver é isso, é não esperar nada de ninguém, é não esperar que alguém se importe em saber como foi o meu dia e eu sempre esperei mais das pessoas, mais do que elas poderiam se dar para mim.
E o que eu estou buscando? Oportunidade de crescimento pessoal, de condições melhores. Mas o que EU tenho a oferecer? A vida é troca e eu recebo o que dou... então eu não me doei porque não recebi... eu decepcionei primeiro? Só podia dar nisso: Agora é viver sem achar graça, num lugar onde não me realizo profissionalmente e esperar os dias passarem como o folhear de páginas de um romance previsível demais.

sábado, 2 de julho de 2011

Se liga...


Dia desses, conversando com minha mãe sobre um lance de energia que eu sinto, defino assim, e que é bastante determinante para definir o que o outro significa para mim, me lembrei de que li o livro "Se Ligue em Você" - Gasparetto e que falava algo sobre isso, sobre essa energia.
É um livro infantil, mas quando conheci já tinha 24 anos de idade e de certa forma veio de encontro com o que a vida me ensinara até então.

Segue um trecho, disponível na internet.

"Existe uma luzinha no seu peito que os olhos não vêem. Mas, quando ela está acesa, faz os sentimentos bons aparecerem.
Quando está acesa e brilhante, ela sai pela boca, fazendo-nos sorrir. Ela também sai pelos olhos,
fazendo-os brilhar.
Ela sai pelo peito, fazendo-nos amar, e pelos braços, fazendo-nos abraçar.
Sai também pelas mãos, fazendo-nos caprichar em tudo.
Sai, finalmente, pelo corpo inteiro, fazendo-nos dançar.
NÓS SÓ SOMOS FELIZES QUANDO ELA ESTÁ ACESA!
Ela se acende quando você pensa positivo. E você pensa positivo quando ela se acende. Ela brilha
quando você faz carinho nas plantas, nos animais e nas pessoas. Também quando sua mãe lhe dá um
presente ou quando você come um doce gostoso.
Ela brilha mais ainda quando você dá um pedaço do seu doce para seu amigo.
Mas, muitas vezes nós deixamos nossa luzinha se apagar.
Quando ela se apaga, você sente medo.
O medo aparece quando você pensa que uma coisa ruim pode acontecer com você ou com alguém de
quem você gosta.
Quando você tem coragem, a luzinha volta a se acender.
Coragem é o nome do sentimento que acontece quando você acredita que só coisas boas podem ocorrer com você e com os outros."

O livro fala de muitos sentimentos, para quem está tentando entender alguns. Vale a leitura.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Resumo da Ópera


Domingo (26) fui até São Paulo. O destino final foi o teatro Oficina para ver e ouvir  Cortinas Lyricas com o recital "Alma del Core" onde conheci pessoalmente a Cathy. 
Bom, vamos por partes: Acordei bem cedo e antes das 9 horas já estava lá na tradicional feira do bairro da Liberdade. Nesta feira vi algo que pode ser pior do que as já conhecidas testemunhas de jeová, são as testemunhas de jeová em japonês que querem nos empurrar as suas revistinhas, mas mal entendemos o que querem nos dizer e são muito insistentes. Fora isso, tudo muito interessante.
Eu  estava lá na hora em que planejei. Enquanto aguardava do lado de fora, observei dois estudantes de qualquer coisa relacionada à música que faziam anotações em apostilas do curso que frequentam e trocavam ideias entusiasmados, pois aguardavam tb para o recital. Um dos rapazes copiava uma partitura, fazendo bolinhas e perninhas desesperadamente, seria aquilo chamado de cifras... (ou não!) Naquele momento pensava quanta coisa que eu não sabia e não sei... de música eu só sei o que sinto quando ouço e mais nada. Sei dizer o que gosto e o que não gosto, mas sou praticamente uma analfabeta musical.
Observei também uma senhora que usava um óculos como o de Robin Williams em "Uma Babá Quase Perfeita" e que é toda prosa, me falou inclusive que nasceu em São Paulo e que depois dali gostaria de dar uma passadinha na Parada Gay. Eu, pra variar, só ouço. Pensei como seria se eu tivesse nascido também naquela cidade. Pensei como serei quando estiver com aquela idade. Pensei tantas coisas, e pensei por fim algo assim: Cara, olha eu aqui. Abelhuda. Isso mesmo. Que bom que eu vim, daqui a pouco vou ver a Cathy, uma pessoa que até agora só vi pela internet, mas cujos caracteres me mostraram uma pessoa super admirável. Sua musicalidade é seu talento.
Entrei logo para sentar na primeira fila. O recital foi maravilhoso. Todas as quatro cantoras fizeram ótimas apresentações. Ao final pude cumprimentar a Cathy, ganhei uma rosa e me senti muito feliz.
Resumo da ópera: Que bom que a vida tem dessas coisas! 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Conversa de ponto de ônibus





Vou me aproximando do ponto de ônibus e uma senhora já começa a puxar conversa. Adoro conversas de ponto de ônibus e qualquer outra então estou super receptiva. 
Eu tinha acabado de fazer compras no supermercado e carregava tudo na minha sacola ecológica, talvez por isso a senhora me pergunta:
- Você é casada? 
-Não. respondi.
- Mas vai se casar? Pretende? retornou.
Rapidamente pensei o por que de aquela senhora que nunca vi antes queria saber da minha vida e mesmo sem saber deixei a conversa fluir na esperança de que meu ônibus chegasse logo.
- Não pretendo me casar. Estou bem assim. Solteira.
- Você tem filhos?
- Não tenho. 
E um grande interrogatório se seguiu. Fica até chato transcrevê-lo. Em certo ponto, já um pouco irritada com perguntas comecei a discursar:
- Olha, casar eu não vou mas isso não quer dizer que não dê uns beijos na boca porque isso é bom e necessário. O que vai fazer uma pessoa na vida se não casar e não beijar na boca?
A senhora questiona: Mas e depois como vai ficar com Deus? 
- Olha, pretendo explicar. E sei que ele vai entender. Ele vê este mundo que deixou para nós como está. Vou me casar com quem? Eu não vou botar filho no mundo, não matei, não roubei, até uso sacola ecológica... mas beijo na boca e acho que não tem nada demais.
Para minha paz, a senhora entendeu e parou de me fazer perguntas e em seguida me deu um número de telefone onde posso ouvir mensagens religiosas. Repetiu umas 10 vezes que gostaria que eu ligasse lá, ouvisse a mensagem e em seguida ligasse para ela, para conversarmos sobre a mensagem.
Não fiz isso porque tive receio daquela senhora ter bina e daqui a pouco ficar me ligando diariamente para me fazer perguntas, afinal ela é tão boa entrevistadora quanto a Gabi.
Falamos de casamento, filhos, igreja. Falamos também de emprego, do mundo, e de mais outros tantos assuntos. O ônibus demorou tanto, mas apareceu e então fui embora.

sábado, 11 de junho de 2011

Arrumar trabalho dá trabalho.

Sempre escrevi. Antigamente eram diários, pilhas de diários. Tenho duas necessidades: Uma é a de me sentir íntima das palavras e a outra de desabafar, registrar, ler e reler, pois assim posso até descobrir que estava errada em relação a algum dos meus achismos. Essa introdução toda para falar que fui chamada para nova entrevista naquele emprego em Santo André. Óbvio que se enviei meu CV e fui até lá é porque queria muito o trabalho, mas o salário oferecido não me permite morar lá, investir na profissão e viver dignamente: fixo de 800 reais e uma comissão que gira em torno de 400 reais. Será que estou equivocada e isso é realmente um montante considerável? 
Confesso que fiquei tentada a aceitar. Alugar um apartamento na cidade, mobiliar. Pensei também que duas vezes por mês poderia viajar para o interior ver meus pais, e alguma vez adicional caso precisassem de mim. 
Com esse valor é também possível me vestir com roupas boas, nem estou falando de grife, porque não fui criada vestindo etiquetas caras e famosas. Nem faço questão.
Mentalmente já vi que vacilei ao recusar. Era uma proposta irrecusável. Já poderia até me programar pois com uma economia mensal poderia ter férias em algum país bam-bam-bam dos vinhos. 

Brincadeiras à parte, não dava mesmo. Uma pena que uma empresa como esta não me ofereceu condições de trabalho. Aparentemente é uma empresa interessante. A vida continua e a minha busca também.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

... vida que segue

Fui fazer uma entrevista de emprego em Santo André, num lugar que imaginava ser bom para trabalhar. Minha mãe me acompanhou pois aproveitamos para visitar um tio que mora lá e não víamos há muitos anos, desde muito antes de ter ido morar na Bahia. Até chegar na casa dele teve muita aventura, pois para quem não sabe eu tenho um trauma de metrô desde quando tinha 11 anos e fui à São Paulo. Naquela ocasião a experiência foi terrível em vários aspectos, uma delas que eu não portava meus documentos e tive de passar por entrevista com juizado de menores e outra que por muito pouco não vou dentro do metrô sozinha e minha mãe com meu primo ficam do lado de fora, numa estação qualquer que não me lembro agora, e para minha tristeza tive que encarar o metrô que continua desconfortável, lotado e até assustador como sempre achei, mas o importante é que consegui encarar e enfrentar um medo que não sei dimensionar, mas fiz algo que evitei por muito tempo e que de certa forma faz parte da vida de quem se desloca de vez em quando. 
Chegando na casa de meu tio, uma casa bonita e acolhedora, a sensação é de que estive lá há pouco tempo, mas na verdade fazia algo em torno de 8 anos que eu não o via e dá para contar nos dedos as vezes que fui visitá-lo. É um grande cara, não nos vemos somente pela distância e por costumes  que talvez sejam atribuídos a diferenças de que a vida em cidades tão diferentes podem proporcionar, mas sempre que nos vimos foram situações e momentos bons, tenho muito carinho por ele e todos os seus.
E desta visita breve, partimos para a minha entrevista de emprego. Fui carregada de esperança, pois tenho qualificação para a vaga, tudo certo pra dar certo e eis que o salário oferecido não me permite trabalhar, pois não me assegura o mínimo necessário para viver em outra cidade. Falando assim, alguém pode pensar que eu preciso muito dinheiro, mas é que não consigo viver com 900,00 tendo que me garantir moradia, alimentação, vestuário, cursos, e uma visita à casa dos meus pais uma vez por mês. Matematicamente fica impossível.  A que ponto cheguei? Encontro a vaga de emprego mas o salário não me permite trabalhar. Nunca antes estive nesse impasse, que não é um impasse pois não há dúvidas, os números falam por si. 
No entanto, posso registrar que foi a entrevista mais bem feita que já fiz na vida e a certa altura o que tive foi um empregador que não conseguiu segurar o choro, pois está emocionalmente destruído com a perda de um filho há oito dias num acidente. Cortou meu coração. Vi a foto do moço num celular: Bonito demais e a perda de uma pessoa querida é a dor incurável, é quando morremos também um pouco. Tentei deixar-lhe palavras de encorajamento, apesar de que palavra nenhuma vai diminuir a tristeza que está sentindo, e desejei que a família encontre forças para continuar a viver.
Muito provavelmente a proposta salarial não vai me permitir conquistar um emprego, mas enfim, terei lembranças de fatos para refletir sobre a existência por toda esta semana.